Festival Da Canção 21’: Itália Vence Numa Final Eletrizante

A pandemia cancelou muitos eventos e concertos pelo mundo fora, mas um dos maiores festivais da música pop europeia conseguiu ser celebrado, por fim!

A 65ª Eurovisão estava programada para ser realizada em maio do ano passado, porém a pandemia do novo coronavírus impediu que isso acontecesse. Contudo, no sábado, 22 de maio de 2021, o evento realizou-se, na mesma cidade em que deveria ter-se celebrado em 2020, no Rotterdam Ahoy, em Roterdão (Países Baixos), com vários dos artistas que iam competir no ano passado.
Portugal, foi um dos 26 finalistas da gala com a canção “Love Is On My Side” dos "The Black Mamba".
A Grande Final
Como habitualmente, o espetáculo teve uma abertura com o desfile das bandeiras e artistas a concurso seguido das atuações, que dão depois lugar aos interval acts antes de revelados os resultados: primeiro os dos júris nacionais, de cada país participante, e depois a pontuação do público.
O espetáculo abriu com força e muito ritmo com “El Diablo” de Chipre, seguem-se as atuações de Albânia, Israel e Bélgica, com três grandes canções que ofereceram bons momentos na gala, porém, sem muitas hipóteses de ganhar.
Manizha, representante da Rússia, entrou no palco com uma canção frenética intitulada “Russian Woman”, e a seguir, uma das grandes favoritas da noite, Destiny com a canção “Je Me Casse” e um vozeirão enorme, representando a Malta.
É então quando entra Portugal com os “The Black Mamba” e cantam “Love Is On My Side” uma balada emocionante, cantada em inglês.
Segue-se uma performance com muita dança, luz e fogos de artifício da Sérvia com o trio “Hurricane”, a atuação fraquíssima do Reino Unido que foi a pior do festival e a da Grécia com “Last Dance”, que até conseguiram uma boa qualificação e os “homens invisíveis” causaram furor no Twitter, pena que mais pelos efeitos toscos do dançarino que pela performance em si.
Nesta altura chegaram os dois momentos mais importantes da gala: em primeiro Suíça, com Gjon’s Tears e a sua voz poderosíssima na performance de “Tout L’univers”. Em seguida, vemos a atuação gravada da Islândia com “10 Years” (que não pôde atuar ao vivo porque um dos seus integrantes testou positivo à Covid-19) cheia de cor e personalidade.
Depois, apresenta-se uma morna e “sem sal” Espanha com “Voy a Quedarme”, Moldávia com “SUGAR” e a ridícula atuação da Alemanha com “I Don’t Feel Hate”.
A estas atuações segue-se uma das favoritas: “Dark Side” da Finlândia, que confere ao espetáculo um pouco do rock mais caótico, depois, veio a emotiva “Growing Up Is Getting Old”, da Bulgária e o momento contagiante com “Discoteque” da Lituânia. Seria, no entanto, com “Shum” dos Go_A a representar a Ucrânia, que o público do Arena chegaria ao delírio.

A calma voltou ao estádio com a francesa Barbara Pravi e o seu “Voilà” que roubou o fôlego de todos os espectadores.
Depois, mais uma canção dançável: “Mata Hari” do Azerbaijão, uma balada cliché: “Fallen Angel” da Noruega, e a terrível proposta dos anfitriões do evento, os Países Baixos, com “Birth of a New Age”.
O estádio volta à vida com o rock dos Måneskin, com “Zitti e Buoni”, representando Itália, porém o mais impressionante desta atuação foi a qualidade e perfeição técnica dos seus músicos, que conseguiam estar aos pulos e a abanar-se todos, sem perder nem uma vez o ritmo.
A fechar o alinhamento, segue-se “Voices” de Tusse, representando a Suécia, e finalmente, "Adrenalina” de Senhit com o rapper Flo-rida, que não foram muito interessantes.
Terminadas as canções, houve tempo para pequenas atuações de vencedores das passadas edições, o novo tema de Ducan Laurence e os "recaps” das canções do concurso. Acabado o tempo de votação, seguiram-se os resultados.
O Momento Da Verdade
A Suíça parecia estar a conquistar o voto do júri, e tudo indicava que seria a grande campeã do concurso, porém, uma reviravolta inesperada aconteceu: o voto massivo do público deixou a Suíça dois lugares abaixo de França, e da grande ganhadora da noite, Itália. No entanto, a vitória foi renhida e as reações dos artistas, não tiveram preço e já viralizaram na Internet.
Portugal ficou em 12º lugar,a melhor posição desde 1989, excetuando a edição vencedora.
No final, os Måneskin voltaram ao palco de novo para interpretar "Zotti e Buoni", agora com a euforia de terem vencido o concurso.

Veredicto Final
Durante toda a gala, o que predominou foram atuações genéricas de dance music, com letras sem nexo em inglês e refrões pegajosos. Pouquíssimos países cantaram nas suas próprias línguas, alguns, como Moldávia e Azerbaijão, por exemplo, encomendaram as suas canções concorrentes a equipas de produtores e compositores suecos, especializados em hits pré-fabricados, algo que não lhes da credibilidade para conquistar o prémio, mas também não há nada no regulamento que proíba isso.
No entanto, mesmo as piores canções da noite tiveram uma encenação espetacular. Videomapping, telas de LED, efeitos de fumo e fogo, tudo aquilo que enche os olhos. No entanto, foi o rock violento cantado em italiano que conquistou o merecido prémio.


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