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A Ressurreição de Demi Lovato: ‘Dancing With The Devil: The Art Of Starting Over’

Writer: Aida Zimmer
Aida Zimmer
Apr 4, 2021
3 min read

Updated: Apr 22, 2021

O novo álbum de Demi Lovato já se encontra disponível em todas as plataformas de ‘streaming’. As suas generosas 19 faixas foram divulgadas no dia 2 de abril, e chegará em breve às lojas.

Foto: Divulgação Instagram

Dancing With The Davil: The Art Of Starting Over é o sétimo álbum de estúdio da artista norte-americana Demi Lovato, que faz parte de um projeto multimídia que inclui um documentário homônimo, fruto da pereceria da artista com a plataforma YouTube Originals, com a qual já havia colaborado em 2017 com a produção da série documentada Simply Complicated.


Este novo disco fala da luta contra o vício, a compulsão alimentar e a depressão que a artista sofreu enquanto jovem estrela da Disney. Trata-se de um canto doce e melancólico sobre abusos, más decisões, relacionamentos tóxicos e a aceitação física, sexual e espiritual. Tudo isto acompanhados por melodias que misturam gêneros tão diferentes como o pop eletrônico dos anos 90, Soul e R&B.


Tudo começa com uma doce balada, mas as palavras da cantora são devastadoras, “Anyone” é um pedido de ajuda desesperado: “Alguém, por favor envie-me qualquer pessoa. Senhor, tem alguém aí?". Não há resposta, e pouco depois, a artista revive o seu pior momento em “Dancing with the Davil”, uma das músicas mais poderosas do álbum, na qual Demi Lovato fala sobre a overdose que a levaria ao fundo do poço.


A terceira faixa “ICU”, com a participação de Madison’s Lullabye, é baseada no momento em que Demi acorda no hospital e não consegue reconhecer a sua irmã, que estava ao seu lado.


A quarta faixa “Intro”, é, como indica o seu nome, uma breve introdução na qual a artista nos promete levar a uma viagem pelo autoconhecimento.



Assim, com “The art of starting over”, a artista traz uma batida mais animada e eletrónica, como uma prazerosa caminhada, já na sexta faixa, “Lonely people”, temos uma melodia mais profunda, que nos faz reflexionar sobre a solidão humana e a aceitação do corpo e da alma.


Em “The way you don’t look at me” e “Melon cake”, Demi, fala abertamente dos seus distúrbios alimentares e o medo de não ser amada: “Tenho medo de despir-me e você não me amar depois”


Na sequência, encontramos as colaborações mais esperadas, “Met him last night”, com Ariana Grande, e “What other people say”, com Sam Fischer, são duas músicas bastante diferentes. A primeira é mais pop, sedutora e obscura, e a segunda dá mais espaço para as vozes de Demi Lovato e Sam Fischer brilharem, e nos fazem refletir sobre como é importante escutar a própria voz no meio do barulho ensurdecedor da opinião alheia.


“Carefully”, nos traz uma mensagem poderosa, sobre continuar a caminhar e a necessidade de entender que a fortaleza está na aceitação das nossas fragilidades.


Com uma balada mais dançante, temos “The kind of lover i am”, onde a artista explora a aceitação da sua sexualidade e, com “Easy”, com Noah Cyrus, retoma o ritmo lento e profundo. Em “15 minutes”, Demi, fala sobre relacionamentos tóxicos e fugazes, baseado no seu noivado relâmpago.


A partir deste momento, as músicas seguintes são mais animadas, sem perder a melancolia característica deste álbum. Estas faixas são uma reflexão sobre o amor livre, o suporte dos amigos, da família e até dos amantes, como vemos em “My girlfriends are my boyfriend” com Saweetie, onde temos um som mais eletrônico e fechado, e a temática da música gira em torno a sua descoberta sexual. Em “California sober”, a artista cria uma melodia envolvente e libertadora. Por outro lado, o ‘cover’ de “Mad World” é revelador e conecta com o momento em que vive a artista.


Finalmente as duas últimas faixas: “Butterfly” e “Good Place”, marcam o final da caminhada da artista e a necessidade de deixar o passado para trás, e encontrar o seu próprio caminho.


Dancing With The Devil: The Art Of Starting Over recebeu muitos elogios da crítica especializada e é, definitivamente, o renascimento da jovem estrela do pop que, como muitas outras, sucumbiram a pressão mediática e ao abuso de álcool e drogas. As músicas são cativantes e as letras são emocionantes. Demi Lovato, nos traz um trabalho brutalmente honesto que nos submerge na mais profunda solidão e, ao mesmo tempo, nos oferece a força suficiente para seguir com esperança.

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