Livros Sobre a Guerra e Romances Históricos Podem Ser Considerados Reais Ensinamentos?

Aprender sobre história, através da leitura de romances históricos foi algo que demorou a ser aceite pela comunidade historiográfica.
A verdade é que, atualmente, este género literário está na moda, principalmente livros que contenham a palavra "Auschwtiz" no título. No entanto, cada uma destas histórias é, efetivamente, baseada em factos reais. Contudo, é importante depreender que nunca corresponde à total realidade, sendo, por isso, em parte, pautadas pela ficção.
A narrativa historiográfica, por exemplo, possui limites que a Literatura não segue. O historiador está sempre no limite do que a fonte lhe diz. A problematização e interpretação da fonte são partes intrínsecas do trabalho historiográfico. Todavia, isso não significa que seja permitido ao historiador falsear a interpretação da fonte expressando dados contrários às informações contidas no documento. Ao mesmo tempo, Literatura e História unem-se espontaneamente na formação da memória social.
Contudo, vale ressaltar que a possibilidade da narrativa ficcional se tornar parte da memória social que conduz o romance à coleção de fontes documentais pelas quais os historiadores podem caminhar, é elevada. Se, por vezes, essa construção memorialista acontece de forma involuntária, ou seja, através de narrativas que não se colocam dentro do espectro da História, quando um romance é denominado ficção histórica, há explícita vontade de ultrapassar a fruição literária, pois, na base daquele romance, existe uma “verdade” que era monopolizada pelos historiadores até então.
Assim, enumeramos 5 livros sobre a Grande Guerra Mundial, que demonstram diversos pontos de vista e que, sendo baseados em factos reais, podem, definitivamente, funcionar como um ensinamento sobre o período mais negro da história da humanidade:
· Minha Querida, queria dizer-te
Um livro de Louisa Young, que retrata a primeira década de 1900, em Inglaterra. A personagem principal, Riley Purefoy, é um jovem, que se apaixona por Nadine Waverly, uma rapariga da mesma idade, mas de nível social mais elevado. Conhecem-se porque ambos são apaixonados por Arte e estudam com Sir Alfred, no seu atelier, sendo lá que o amor acontece. No entanto, e devido ao estatuto de Nadine, os pais não permitem o desenrolar desta paixão.
Riley, tentando fugir aos seus problemas, decide que a única solução passa pela ida para à guerra, a Primeira Guerra Mundial. Porém, ele desconhecia a dura realidade que o esperava, descrita pormenorizadamente ao longo do livro, e logo começa a arrepender-se da sua decisão.
A par desta história, é-nos apresentada uma família fútil que, ao confrontar-se com a suposta perda do marido na guerra, a matriarca decide dedicar-se inteiramente à casa, esquecendo-se de tudo o resto.
Por outro lado, Nadine, para se sentir mais perto de Riley, dedica-se à medicina, tratando de pacientes que chegam, em muito mau estado, da guerra.
Apesar do final feliz, existe uma forte descrição das feridas não só físicas, como psicológicas de cada soldado. Ainda, é descrita a dura realidade de quem esperava por quem tinha ido defender a pátria.
· O Carteiro de Auschwitz
Da autoria de Joe Rosenblum com David Kohn, é um livro com menos romance e mais história, apresentando um testemunho impressionante que demonstra, friamente, os acontecimentos macabros que aconteceram nesse período e que fazem parte da nossa história. Com uma narrativa à qual ninguém fica indiferente, é aqui descrita a história de Joe, nome que adotou após o término da guerra, que é quem narra toda a história, na primeira pessoa, falando de todos os acontecimentos duros, difíceis e quase inacreditáveis por que passou!
Joe Rosenblum era ainda criança quando assistiu à invasão nazi da sua cidade na Polónia. Viveu terrores inimagináveis e foi por pouco que escapou à execução em massa de que foi vítima o seu irmão. Fugiu, primeiro, para uma quinta, onde trabalhou, e cujos proprietários o protegeram e ajudaram. Depois, viu-se obrigado a refugiar-se junto de ex-prisioneiros russos. A sua inacreditável jornada de sobrevivência começou após ser capturado pelos alemães. Inteligente, criativo e extremamente pragmático, Joe desafiou a morte, transportou a esperança e deu um exemplo perfeito de humanidade, otimismo e perseverança.
Com uma bondade sem limites, ele entregou mensagens secretas aos prisioneiros, salvou crianças da câmara de gás e devolveu a luz ao coração dos homens num dos períodos mais terríveis da história mundial.
· O Tatuador de Auschwitz e a Coragem de Cilka
Ambos de Heather Morris, trata-se, assim de uma sequela, em que o Tatuador de Auschwitz é o primeiro livro.
Ao contrário do “Carteiro de Auschwitz”, esta é uma história mais “soft”, mais romantizada sobre um jovem, Lale, que é obrigado, como todos os restantes judeus a ingressar o campo de concentração mais temido: Auschwitz.
Graças à sua inteligência, simpatia, perspicácia e resiliência, consegue estabelecer ligações com todas as hierarquias do campo, até com tropas nazis. Desta forma, consegue sempre negociar jóias e comida a fim de sobreviver mais um dia no campo de concentração.
O seu principal posto de trabalho é tatuar todos os prisioneiros que chegam ao campo e que serão os “marcados para sobreviver”.
Nesta tarefa, conhece aquela que viria a ser o amor da sua vida, Gita, pela qual lutaria para sobreviver depois deste terrível pesadelo! Durante três anos, o romance deles viu vários altos e baixos, passando por muitos problemas e sacrifícios, tendo em conta o local em que se encontravam. No entanto, os dois foram arranjando amigos e aliados, que os salvaram muitas vezes. Esses amigos foram o oficial Baretski, o superior de Lale, que se tornou seu amigo e confidente, Dana e Ivana, amigas de Gita que a salvaram da morte e ajudaram Lale a percebê-la melhor, Cilka, colega e amiga de Gita, que salvara Lale da morte certa, Victor e Yuri, pai e filho que levam comida a Lale, entre outros oficiais e prisioneiros. Uma história verídica e comovente, de amor e sobrevivência, que demonstra como uma boa comunicação e muita resiliência permitem sobreviver à experiência mais repugnante das suas vidas. Neste livro são relatados vários episódios chocantes e inesquecíveis, tais como a quase morte de Lale e Gita, as mortes horrendas nos crematórios dos campos de concentração da altura, e a chegada do doutor Joseph Mengele, o denominado Anjo da Morte, que fazia experiências nos prisioneiros.
A história verídica de Cilka Klein, uma sobrevivente de Auschwitz, salva pela sua beleza, e ao mesmo tempo, condenada por ela.
Em 1942, com apenas 16 anos, Cilka Klein é levada para o campo de concentração de Auschwitz-Birkenau. O comandante do campo, Johann Schwarzhuber, sente-se de imediato atraído pela beleza dos seus longos cabelos e decide separá-la das outras prisioneiras. Cilka depressa aprende que o poder pode ditar a sobrevivência.
Após a libertação, Cilka acaba por ser condenada pelos russos por ter colaborado com os nazis e é enviada para Vorkuta, um desolado e horrendo campo de trabalhos forçados na Sibéria, no Círculo Polar Ártico. Inocente, mas de novo prisioneira, Cilka enfrenta novos desafios, igualmente aterradores, numa batalha diária pela sobrevivência. Trava amizade com uma médica de Vorkuta e aprende a cuidar dos prisioneiros doentes esforçando-se para tratar deles, sob condições inimagináveis. Mas é ao cuidar de um homem chamado Aleksandr que Cilka descobre que, apesar de tudo, ainda há espaço no seu coração para o amor.
A Coragem de Cilka é a continuação da narrativa do bestseller internacional O Tatuador de Auschwitz. Uma história que nos deixa estarrecidos e encorajados pela feroz determinação de uma mulher que, contra todas as probabilidades, sobreviveu.
· O Diário de Anne Frank
Escrito entre 14 de junho de 1942 e 1 de agosto de 1944, O Diário de Anne Frank foi publicado pela primeira vez em 1947, por iniciativa de seu pai, revelando ao mundo o dia a dia de dois longos anos de uma adolescente forçada a esconder-se, juntamente com a sua família e um grupo de outros judeus, durante a ocupação nazi da cidade de Amesterdão.
Todos os que se encontravam naquele pequeno anexo secreto acabaram por ser presos em agosto de 1944, e em março de 1945 Anne Frank, com apenas 13 anos, morreu no campo de concentração de Bergen-Belsen, a escassos dois meses do final da guerra na Europa.
Miep Gies e Bep Voskuijl, as duas secretárias que trabalhavam no edifício, encontraram os diários de Anne espalhados pelo chão. Miep Gies enfiou-os numa gaveta da secretária para os guardar em segurança. Depois da guerra, quando se tornou claro que Anne estava morta, deu os diários, sem os ler, ao pai de Anne, Otto Frank. Após longa deliberação, Otto Frank decidiu realizar o desejo da filha e publicar o seu diário.
O seu diário tornar-se-ia um dos livros de não-ficção mais lidos em todo o mundo, testemunho incomparável do terror da guerra e do fulgor do espírito humano.
· A Guerra aqui tão perto
Monica Hesse dá o exemplo de duas famílias refugiadas, as de Haruko e Margot, que são forçadas a recomeçar as suas vidas num campo do Texas. Os acusados de conspirar contra a América são “convidados” a residir no grande Estado do Sul dos Estados Unidos (EUA). Estamos em 1944. A Segunda Guerra Mundial está no seu auge e estende-se a quase todos os continentes e mares, combate-se tanto na Europa como no Pacífico.
A família de Haruko é japonesa e a família de Margot é alemã. Ambas não se conhecem e vivem em pontos distantes dos EUA. Os seus países de origem estão em guerra com aquele onde agora residem.
Com as suas vidas prestes a colapsar, Haruko e Margot encontram conforto uma na outra, e depositam toda a esperança na sua amizade secreta.
Conseguirão encontrar felicidade numa prisão que se suspeita repleta de espiões? Uma história delicada, mas poderosa. A prova de que a família, a amizade e o amor mantêm a sua importância vital até nos piores momentos.



.png)



Comments