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A Antiutopia e Por Que Todos Precisamos Dela ao Menos Uma Vez na Vida

Writer: Aline Ribeiro
Aline Ribeiro
May 14, 2021
5 min read

No universo dos livros existem os mais diversos géneros literários, que reúnem em si, cada um, um conjunto de obras que apresentam características similares na sua forma e conteúdo. Um dos géneros mais apreciados por fãs de cultura pop é a distopia.


A distopia, ou ainda, a antiutopia, é um conceito filosófico adotado por vários autores e expresso em suas criações ficcionais, nas quais eles retratam uma sociedade construída no sentido oposto ao da utopia. Se ela prevê um sistema perfeito, um estado ideal, onde vigora a máxima felicidade e a concórdia dos cidadãos numa sociedade perfeita, a distopia segue a direção diametralmente oposta. O caos social, a confusão mental, a ilusão como ferramenta de controlo das massas, o imprevisível e o fim dos tempos são temas recorrentes… e perturbadores.


E por que todos deveriam ler uma obra distópica ao menos uma vez?


Este género literário busca trazer uma forma de advertência para fatos e situações do nosso cotidiano que nos deveriam ser objeto de reflexão. As obras abusam da ironia, do exagero e também da busca por tornar muito mais explícitos os pactos e formas sociais que já não cabem mais ou que podem ser prejudiciais à sociedade e às pessoas.


Frequentemente associadas à situações que hoje fazem parte do nosso dia a dia, as distopias servem como fonte de reflexão sobre os caminhos que as sociedades e as correntes de pensamento tomam à medida que as gerações passam, que a tecnologia evolui e que o futuro, que antes parecia tão distante e semeado por ciborgues, androides, robôs, dispositivos elétricos e até veículos inteligentes e voadores tornam-se parte de nossas vidas. Seriam as distopias uma forma de prever o porvir?


A distopia representada em obras da cultura pop


Nos tempos mais recentes, temos visto grandes obras distópicas invadirem as telas em produções audiovisuais que causaram forte impacto em seus lançamentos e que provocam discussões acaloradas sobre o nosso futuro. Separamos alguns exemplos e relacionamos com as obras literárias que as inspiraram para que possa mergulhar neste tema tão aliciante quanto necessário e potencialmente perturbador.



O BIG BROTHER


O famoso reality show foi inspirado no clássico "1984", em que a autoridade do "Grande Irmão" segue os passos de toda a população por meio de câmeras. No romance, o personagem do Grande Irmão é o líder supremo do cenário (a fictícia Oceânia) que controla toda a população.


Foto: Reprodução Google Images

Na história, todos os cantos públicos e privados estão ligados às “teletelas”, uma espécie de câmera capaz de monitorar, gravar e espionar a intimidade da sociedade — assim como acontece na casa do Projac (centro de produções da Rede Globo de Televisão no Rio de Janeiro, Brasil, e à semelhança do que ocorre nos demais países que adoptaram este modelo de programa televisivo), que abriga todo ano os participantes do reality.

Assustador é pensar que este universo distópico criado pelo escritor britânico George Orwell foi publicado ainda em 1949. Seria uma antevisão do futuro?



PHILIP K DICK (PKD), BLADE RUNNER E AS SUAS OVELHAS ELÉTRICAS


O americano Philip K. Dick é o autor cuja obra ("Androides Sonham com Ovelhas Elétricas?" de 1968) inspirou um dos maiores sucessos do cinema de todos os tempos, Blade Runner - filmado por Ridley Scott. O escritor morreu em março de 1982, três meses antes do lançamento deste filme, mas o seu legado reflete-se em outros grandes sucessos de público e crítica.


Foto: Reprodução dw.com.

No século 21, uma corporação desenvolve clones humanos para serem usados como escravos em colônias fora da Terra, identificados como replicantes. Em 2019, um ex-policial é acionado para caçar um grupo fugitivo vivendo disfarçado em Los Angeles. Ambientado com uma genética avançada, muita inteligência artifical, carros voadores, humanóides e frequentes viagens ao espaço, o filme parece ter sido um pouco otimista demais a respeito do desenvolvimento tecnológico.


O filme ganhou uma eletrizante continuação, Blade Runner 2049, com provocações ainda mais profundas sobre temáticas com as quais podemos ter de vir a nos acostumar - o excesso de lixo, a alimentação escassa, o fim das árvores, cidades verticais, luzes neon e conflitos profundos acerca da nossa condição humana, de todo.




TOM CRUISE, A JUSTIÇA NO FUTURO E UM MUNDO (SUPOSTAMENTE) SEM CRIMES


O que configura a culpa de uma pessoa em um crime? Cometer o ato, planeá-lo? Onde começa e onde termina o argumento que pode tornar uma pessoa num condenado à privação da sua liberdade? Baseado num conto de Philip K. Dick, com Tom Cruise no papel central, o filme de Steven Spielberg "Minority Report" é uma brilhante variação sobre a tradição aventurosa das “viagens no tempo”.



No filme, descobrimos um tempo futuro em que a vigilância policial possui poderes de antecipação dos crimes que vão ser cometidos… até que um dos inspectores (Cruise) é apontado como potencial autor de um crime futuro… Penetramos num universo tanto mais inesperado e perturbante quanto todas as clássicas fronteiras do conhecimento humano estão postas em causa. Spielberg encena, assim, uma aventura futurista que, em última instância, nos confronta com uma questão sempre actual. A saber: quais as relações entre os mecanismos de preservação da ordem social e os avanços da tecnologia e, de modo geral, o conhecimento científico?


OUTROS GRANDES CLÁSSICOS LITERÁRIOS DO UNIVERSO DISTÓPICO PARA FICAR A CONHECER


1. O Conto da Aia - The Handmaid's Tale

Reprodução: Hulu.com

Escrito em 1985, o romance distópico The Handmaid's Tale, da canadiana Margaret Atwood, tornou-se um dos livros mais falados em todo o mundo nos últimos meses, ocupando mais uma vez uma posição de destaque nas listas de best-sellers em vários países. Além de ter inspirado a série com o mesmo nome (The Handmaid's Tale, no original) produzida pelo canal de streaming Hulu, a ficção futurista de Atwood, ambientada num estado teocrático e totalitário em que as mulheres são as vítimas preferidas da opressão, tornam-se propriedade do governo, e o fundamentalismo é reforçado como força política, ganhou o estatuto de oráculo nos EUA da era Trump.



2. Fahrenheit 451



Fahrenheit 451 é um livro de ficção científica publicado em 1953 pelo escritor norte-americano Ray Bradbury. O romance conta sobre uma realidade distópica em que o trabalho dos bombeiros é basicamente queimar livros, isso porque foi instaurada uma cultura de combate ao pensamento crítico e autônomo dos indivíduos. Guy Montag é o protagonista, um bombeiro que tem a missão de destruir livros, mas que acaba percebendo a importância da leitura.


Essa é uma obra que carrega forte crítica social ao que se refere ao autoritarismo e à repulsa ao conhecimento, intensamente presentes durante o nazismo e que contextualizaram a década de 50 no pós-guerra. Se tornou num clássico da literatura e do cinema por apresentar uma história bastante absurda, ao passo que traça um diálogo cada vez mais forte com a contemporaneidade.


E ainda mais 3 bónus:


3. A Duna, de Frank Herbert


Foto: Divulgação

4. Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley


Foto: Pe. Manuel Gonçalves/ Sapo

5. Laranja Mecânica, de Anthony Burgess



Foto: multiversox.com.br

Gostou da nossa seleção? Conte-nos o que achou e se conhece alguma outra obra para completar a nossa lista, nas nossas redes sociais!



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